quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Aprendendo História com Asterix


André Brown


A primeira vez que vi um álbum do Asterix foi em Nova Friburgo (RJ), na casa de um primo mais velho. Eu calculo que tivesse naquela época apenas 5 anos de idade e não era alfabetizado, mesmo assim, fiquei um bom tempo observando a capa e os quadrinhos coloridos no miolo da publicação.
Criado por René Goscinny e desenhado por Albert Uderzo para a revista francesa Pilote, Asterix, com seu excelente humor, se tornou em pouco tempo popularíssimo no mundo, sendo publicado em mais de 30 países.


A trama é simples: no ano 50 a.C., quase toda a Gália (o antigo nome da França) foi ocupada pelas legiões romanas de Júlio César. No entanto, uma pequena aldeia na Armórica (noroeste da França), onde mora Asterix, resiste milagrosamente às investidas do exército de Roma, acampado em quatro fortificações que a circundam – Babaorum, Aquarium, Laudanum e Petibonum. O milagre se deve à poção mágica inventada pelo druida (sacerdote) gaulês Panoramix. Ela confere força sobre-humana aos guerreiros da aldeia, que conseguem assim derrotar sucessivas vezes as apatetadas tropas inimigas. (VALVERDE, 1994).


O meu reencontro com os quadrinhos do Asterix aconteceu aos 12 anos de idade quando cursava a 6ª série. Nessa época, últimos anos da ditadura militar, eu era um aluno desinteressado pelas aulas de História. Não me sentia estimulado a decorar todas aquelas datas e vultos históricos.


Passei a gostar de estudar História depois das minhas leituras dos quadrinhos Asterix que além de engraçados, são muito bem desenhados e coloridos, trazendo informações interessantes sobre História Geral, o Império Romano, antigas civilizações e suas respectivas culturas, atualmente esquecidas por algumas escolas.


Alguns professores utilizam os quadrinhos do Asterix em suas práticas de ensino, como acontece no caso narrado a seguir:


Em vez de livros, quadrinhos. É assim que os alunos da 6ª série da Escola Nossa Senhora das Graças, da cidade de São Paulo, tiram proveito das aulas de História Geral e do Brasil. Para trabalhar o encontro de culturas, tema dessa série na escola, as professoras Andréia Montellato e Conceição Aparecida Cabrini incluem no material didático histórias em quadrinhos de Axterix, personagem criado na França, em 1958, e que ganhou milhares de fãs pelo mundo.
(...) A história escolhida para o trabalho é O Domínio dos Deuses, que trata de dominação cultural. No final, vem a melhor parte: a classe é dividida em grupos e cada um deles monta uma história em quadrinhos baseada na leitura de Asterix. (REVISTA NOVA ESCOLA, 2000)


Lembrando minha experiência de aprendizado com as histórias em quadrinhos de Asterix e conhecendo outras de leitores, professores e alunos, percebo o potencial dos quadrinhos para ensinar, ampliando meu interesse pela pesquisa dos usos (CERTEAU, 1994) dos quadrinhos na Educação.


Referências Bibliográficas:


CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano – as artes de fazer. 8ª ed. Petrópolis: Vozes, 1994.
VALVERDE, Ricardo. O irredutível Asterix faz aniversário. BUUUMM!!! HQ, Rio de Janeiro, 1994, nº 2, p.15.
REVISTA NOVA ESCOLA. Quadrinhos tratam as diferenças com humor. Edição Especial – Parâmetros curriculares Nacionais – PCN – de 5ª a 8ª série. São Paulo, Editora Abril, 2000.p.16.